terça-feira, 1 de agosto de 2017

Las manos de mi madre


Las manos de mi madre
parecen pajaros en el aire
historias de cocina
entre sus alas heridas
de hambre.

Las manos de mi madre
saben que ocurre
por las mañanas
cuando amasa la vida
hornos de barro
pan de esperanza.



Las manos de mi madre
llegan al patio desde temprano
todo se vuelve fiesta
cuando ellas vuelan
junto a otros pajaros
junto a los pajaros
que aman la vida
y la construyen con los trabajos
arde la leña, harina y barro
lo cotidiano
se vuelve magico.


Las manos de mi madre
me representan un cielo abierto
y un recuerdo añorado
trapos calientes en los inviernos

Isso que ela tá pendurando no varal é massa para fazer macarrão em casa...



Ellas se brindan calidas
nobles, sinceras, limpias de todo
¿como seran las manos
del que las mueve
gracias al odio?


Mercedes Sosa



domingo, 16 de julho de 2017

A coragem

Agora é que está passando... Levantei da cama e fui direto ao banho... a água quente, muito quente, foi levando embora a dor.
Lembrei das palavras da amiga... "A primeira que deve te amar é tu mesma", enquanto lavava meus cabelos, e tentava saber como estava meu corpo, sentindo-me morta, apenas lembrando da vida, por causa da dor.
Dor é um sinal de vida, isso eu sei.

Há alguns meses venho buscando saber coisas sobre mim. O que eu sinto realmente, o que é influência externa, ou interna, mas que não é tão real assim.
Há coisas irreais em mim, preciso descobrí-las para abandoná-las, urgentemente, sob pena de continuar não sendo autêntica, enganando a mim mesma e até mesmo a outros...
Ficar aqui me possibilita isso. Deixar-me um pouco, esquecer os pensamentos, fixar-me no presente. Olhar pela janela a rua, a chuva e o vento fulminante, minhas plantas. Vou conferir se não caíram. Não podem cair, mesmo com o vento forte, me recuso a tirar-lhes da potência da tormenta....

Estudar, ouvir as gravações, a voz da professora recitando poemas, eu busco-os no livro do poeta que mais adoro. Como é perfeito seu modo de escrever. Ao ler seus versos não sinto-me tão só nos sentimentos. Identifico-me com tempos que não existem mais, com coisas que não estão mais ao meu alcance, pois agora, apenas restou este coração que apenas observa, e que pouco consegue sentir.

Uma criança disse no filme de 1961: "Como é triste quando alguém não tem tempo para você".
Vivemos ao longo da vida buscando confirmar se quem amamos nos pode doar seu tempo. Ao amor eu doei praticamente minha vida, e não me arrependo nenhum dia sequer.

Agora, como sempre, ainda não desejo mais saber, me fere o não, do mesmo modo que me fere o sim. Vou me recolher a esta não-vida que escolhi.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Onde mora minha alma

Todas as noites tenho sonhado com minha mãe. Estou na casa dela, e peço que ela fique uns dias comigo. Ela está tão viva e me diz que sim, irá ficar. E decerto ficará. Mas quando acordo, um desespero me atinge, ao lembrar que vivi em outra realidade, e nesta, ela está morta.
No portão da casa às vezes aparece meu amado de tantas eras. O rosto como de um cadáver, o aspecto de um morto, as mãos brancas e um silêncio que eu entendo. O coração batendo forte. Meus cabelos estão compridos, exatamente como estão agora, porém, nesta realidade, não há nada naquele portão, e o coração que pulsa é somente meu.

Esta casa que aparece em meus sonhos apenas me atormenta, é um lugar onde minha alma às vezes se aprisiona, de onde não consigo sair devido à saudade, à dor, à lembrança. Quero muito vê-la, quero desesperadamente sentí-la perto de mim, sei que isto não me é permitido, mas eu imploro à morte por favor, deixe-me ver minha mãe.
Mas eu tenho meu lar e meu templo. E hoje vou contar como ele é.
Moro em uma casa com janelas muito grandes. Minha vista é para onde nasce a lua. Bem em frente está um cemitério e suas árvores, todas aparentemente imóveis e silentes. Vejo essa paisagem todos os dias, foi por isso que escolhi morar aqui.
No outro oposto da casa é onde o Sol termina. A janela da minha sala recebe todos os dias as cores vermelhas, rosas e roxas do por do sol. E nas madrugadas é por ali que acompanho a trajetória da lua...
Aqui tem uma energia bonita, a minha paz e a paz da casa. As duas juntas formam um lugar onde eu adoro ficar.

A calma da casa é complementar ao ruído da rua. A combinação destas duas estão em perfeita ordem em minha vida. Eu adoro esta rua, eu idolatro minha casa. É uma rua simples, é uma casa antiga. As duas tem aspectos de mim mesma, por isso as amo.
A cozinha é unida à àrea de serviço. Arranquei a porta que as separava. Quero espaço! Tem ali outra janela, para o mesmo sol que eu sinto no entardecer.
O banheiro é ao lado do quarto, é grande e claro. E está cheio de livros, minha amiga me diz: esta casa está ficando a tua cara.
Há livros também na cozinha, na sala e principalmente no quarto, onde está provisoriamente minha biblioteca maior.

Na minha sala existe um painel na parede. É a ilustração de um parque com muitas árvores e um lago. Sempre quis ter esse tipo de painel na minha sala e, por 'coincidências' da vida, aí ele está.

Aqui passo os meus dias, mais precisamente os finais de tarde, as noites e também alguns fins de semanas...
Procuro não misturar a tristeza que se aproxima de mim em certos dias, ao aconchego de minha casa. Ao entrar aqui, procuro deixar lá fora minhas lástimas, porém nem sempre é possível, ao adormercer meus sonhos me despertam, e acordo todos os dias às três da manhã, com a memória forte de um desses sonhos... Eis a nova fase de minha vida, estranha e feliz. Estou simplesmente sendo eu, por fim!




terça-feira, 4 de julho de 2017

Encontrar as palavras certas

Estou cursando a faculdade de Letras, quase domino um novo idioma, porém, como é difícil comunicar-me. Escrever, é fácil, ser lido, do mesmo modo também é. Mas, na comunicação individual, onde reina o sentimento, minhas palavras são parcas, eu não consigo me expressar.
Nasci com o dom da escrita, eu sei. Sempre foi tão fácil organizar as palavras, quanto pensar, ou respirar. Sempre foi tão perfeito ler, entender e simplesmente amar o lido. Porém, diante do amor, as palavras são insuficientes, os idiomas não valem para nada, eu fico muda.

Escrevi uma carta de amor, mas, por ser de amor, ainda tenho minhas dúvidas se disse tudo o que deveria dizer. Ou se escrevi demais, ou se não falei o essencial.
Para falar dos sentimentos nunca fui boa.

Diante de minha mãe morta, não consegui dizer-lhe que a amava.
Diante do amado, nenhuma palavra jamais saiu. Eu só sabia escrever, cometer torpezas, falar com os gestos, fugir como uma condenada, de um sentimento que me arrebatava.

Eu tenho consciência de que esta vida é curta, e perco meus dias por nada dizer. Perco minhas horas por estar aqui, em minha auto suficiência de escritora, em apenas escrever o contrário do que sinto. Se estou tão viva, citarei a morte, se estou tão feliz, citarei a melancolia.

E, de metáforas tortas, vou fazendo, além da escrita, minha vida.




segunda-feira, 3 de julho de 2017

Visita à minha mãe

Sempre vejo em meus sonhos, a casa da minha mãe, dessa vez sem ruínas, pintada de branco, com as janelas marrons, e uma névoa silenciando o ambiente.
Eu fazendo promessas de visitá-la mais vezes, dormir naquela casa. Um lugar que só existe hoje em minha mente.


E lá, no sonho, ela estava tão viva, tão minha, tão profundamente real. Sentia imenso desejo de ficar ali com ela, só para conversar.

Suas coisas, seus pertences, quase nada existe mais. Seu corpo se foi morto, frio e roxo como todos os cadáveres... Ela deixou esse mundo, mas não deixa meus pensamentos. Todos os dias nesta casa, eu a encontro. A casa branca, as rosas no jardim, as roupas que eram dela, tudo o que foi de minha mãe.

Naquela casa, que hoje desaba sobre minha alma, há a memória do meu pai, há a trajetória do meu irmão. Eu também estou lá, de certa forma, naquele quarto solitário, naquela solidão que conheço tão bem, mas que hoje dói bem mais.

A morte corta tudo, nos tira tudo, só tenho algumas fotos, algumas roupas, um espelho, um perfume, e a lembrança da vida e da morte no seu corpo, que um dia me criou.

Eu nasci, daquela que hoje é simplesmente um nome em um túmulo. Eu era parte dela, e hoje carrego suas características dentro de mim. Minha mãe: agora me acho parecida contigo, na doçura e na teimosia, na tristeza, na desesperança, na alegria de viver, no cuidado com o outro.

Eu me abandonei algumas vezes, como você fez certa vez, eu desisti de algumas coisas, como você também desistiu, hoje me reflexo em seu olhar, pois sei tanto o que você passou. Eu luto todos os dias para orgulhar-te, eu escrevo estas linhas, para que possas ler... aí em algum lugar onde estejas.

Mãe, se leres isso, estou no melhor momento de minha vida. Estou percebendo as coisas que são realmente minhas, as que devo deixar para trás, e o que eu penso realmente, que não é influência de outros.
Só o que não muda são os sonhos, em que vou te visitar, aquela casa perturbadora, aquela saudade do que nunca mais será.

sábado, 24 de junho de 2017

Não consigo ficar sozinha!

Apesar de adorar a solidão, eu não consigo estar sozinha. Será que sou anormal?

Adoro minha casa, adoro meu ser, minhas poesias, meu universo interior.  Mas até mesmo lá dentro há alguém, mesmo um fantasma...que não sou eu.

A companhia que se instalou aqui é quase um espírito amado, que tão entrelaçado em mim está, que já não sei o que sou eu, e o que são aquelas palavras antigas, as marcas impregnadas.

Mas essa minha mania de emendar uma história na outra, quando irá acabar? Quando me dedicarei a alguém, da mesma forma que dedico ao meu fantasma os meus poemas?

Não é culpa só minha, amar não é para qualquer um. E eu que sei bem como é o amor, não vou ficar aqui parada, no vazio dos dias... eu vou sim é viver, desse jeito torto, o que há pra fazer.
Ser doce e carinhosa é a melhor coisa que existe. Nunca me furtarei a isso.

Desde que me separei (antes também era assim) minha vida tem sido um relacionamento logo após outro, sem sequer um dia para respirar. Não consigo ficar só, alguns dias....eu emendo mesmo. Não consigo parar.

Ás vezes eu acho que isso é apenas um alimento para a vaidade. Ter o olhar de alguém em sua direção, alguém que pensa em você, mesmo que você nem esteja tão envolvida assim. Ter companhia para conversar todos os dias, um cara que te liga, num mundo em que ninguém se importa.

Isso eu poderia ter com amigos? Sim, mas não da mesma forma. Amigos eu tenho poucos e não gosto de incomodá-los com minhas carências. E eu adoro conquistar, ser conquistada.
A amizade é uma outra forma de conquista, tão bela, mas que para mim é muito mais sagrada.

Outras vezes eu penso que apenas amadureci e encarei esta verdade sobre mim: sou assim, sempre serei. Não acho interessante o que todos dizem "devemos ter um tempo para si mesmos e só depois nos relacionarmos outra vez". Por quê?

Me conheço o suficiente para não precisar me isolar de ninguém. Sei sobre mim o tanto que preciso, até este ponto, para não precisar me afastar de nada. As confusões sobre mim e sobre meus sentimentos, nada tem a ver com os outros, com a proximidade ou distância. Eu tenho dificuldades para amar sim, mas eu tento, tento muito.

Por que não posso aprender sobre quem eu sou através de outra pessoa? O aprendizado, afinal, é meu apenas. Não necessito tanto assim do outro, ou tanto assim da solidão. Juntos aprendemos muito mais a conviver, a ter paciência, a ser feliz mesmo com os pequenos defeitos de cada um. (E as diferenças!)

O outro pode ser um espelho para meu reflexo, mas também posso vê-lo, através dessa imagem.
Eu levei muito tempo para reconhecer na imagem que vejo no espelho, o amor de toda minha vida. Essa conquista é minha e de mais ninguém.

Já fiz a experiência, já fui muito solitária em determinado período, minha infância. E, por ser muito jovem, nada aprendi, nada acrescentou em mim não ter nada, viver em um deserto. Dali em diante, eu segui com aquilo que colhi, em todas as pessoas que nutri algum afeto. E tenho certeza de que nelas deixei, um pouco do amor que senti, tão fragmentado, mas completamente sincero.




segunda-feira, 19 de junho de 2017

Viva na vida - morta no Face

Eu tive dois perfis no Facebook, um deles, cheio de amigos... mais de 4000. O perfil mais novo, era fechado. Os dois morreram hoje.
Explico. Na minha vida, as coisas vão acontencendo, meio bagunçadas, vou deixando-as ali, elas se ajeitam, mas tem uma hora que chega! Preciso zerar a vida, começar de novo ou dar um tempo... Ou nada disso. Conforme...

O Facebook foi já motivo de brigas no meu primeiro casamento e foi alvo também no meu namoro... Claro, será mais fácil culpar a rede social do que as minhas atitudes, porém o Face não é de todo inocente. Nos últimos tempos andava me sentindo angustiada, pois além de trabalhar com redes sociais, ainda tinha que manter minhas redes quando saía do trabalho. Eu estava vivendo a virtualidade, estava reativa a tudo, ausente das minhas vontades profundas, apenas na superfície do sim ou não (curtir, compartilhar, reagir).
Dessa energia passo longe....

Depois que comprei meu smartphone, minha atenção caiu drasticamente. Meu nível de leitura baixou quase a zero. E olha que mesmo assim consegui ler alguns livros, apenas porque amo ler. Quando me mudei para minha casinha, decidi ler mais, oficialmente, devorar os livros. Deu certo. Porém, quando baixa a bad, a leitura passa longe... começo a divagar nas redes, só ver a vida perfeita das pessoas, as fotos bem batidas, as comidas maravilhosas, as briguinhas tolas que não levam a nada, a problematização tosca, que é quase uma característica desse tipo de rede.... isso encheu o saco. Não aguento mais! Para tudo é um piti....

A última foi gente problematizando os temperos da comida vegana. Sério meu, parece que essa galera não transa, não tem espírito alegre, descontraído. Não tem. Pois na rede, é impossível não reagir. É quase falta de educação.

O Facebook é um lugar onde você apenas fala. Não é necessário escutar, não precisa entender o outro, não precisa nem haver outro. É apenas aquela massa amorfa que aprova ou desaprova o que você posta. Não é necessário entender profundamente, as coisas passam por você. E nessa onda, as pessoas começam a achar que tudo é assim, e começam a tratar a si mesmas e aos outros como coisas, como postagens, como objetos que só valem durante certo instante.

Depois que comecei a fazer selfies, foi talvez a primeira vez que comecei a questionar negativamente meu rosto, a achar defeitos, a comparar com sei lá o quê.
Essa busca de aceitação não existe apenas por que existe a Internet. Ela existe, está latente. Mas isso não significa que eu tenho que alimentar essa nocividade. Não tenho que alimentar posts de pessoas que nem conheço, não tenho que provar nada para ninguém, eu agora, quero apenas ser eu.
Não sei direito, não sei mais o que sou. E isso, na verdade está sendo bom. Agora vou descobrir, a sério, e com confiança.

Agora, eu quero falar com as pessoas que realmente gostam de mim. Quero pegar o número e ligar, quero sair para passear, quando houver tempo, quero tê-las no meu Whats, mas sem grilo, apenas as pessoas que importam, e que se importam.
Agora, quando estiver com quem eu amo, estarei apenas com ele. Não me importa que as pessoas ao meu redor usem o celular, desde que não deixem de estar comigo, presente naquele momento.
Sei que talvez as visitas no meu blog irão diminuir, mas neste momento, nao importa mais a quantidade. Eu quero apenas ler com minha cabeça, ter minha própria opinião, pensar bem antes de 'reagir', eu quero viver!


PS. Tive muitas coisas boas por lá, outra hora conto... Duas das minhas melhores amigas conheci no Face, então nem tudo está perdido... e esse é apenas um texto... até a próxima...<3 p="">




Ansiedade e sentimento de urgência - tentando voltar a ser viva

Como seria bom viver sem depender das reações alheias, ser dona de mim mesma.
Nos últimos dias, estou reconhecendo o quanto é difícil e o quanto fiz as mesmas coisas minha vida inteira.
Eu me apeguei a um conceito aprendido na minha adolescência, eu me liguei às sombras, pois a morte era mais confortável do que a vida que eu levava. Eu entrei no período romântico, na idade das trevas da minha mente, eu fiz o que achei poético, o que salvava minha alma dos dias reais.
Me apeguei a isso, sem nunca mudar, sem nunca pensar de outro modo.

2017, ano de profundas mudanças na minha vida.

Os estímulos são muitos, aquela necessidade de ter uma resposta, de ter uma opinião, de ser/estar sempre presente, o modo de ser rede-social... a espera de respostas rápidas, o pedido de amizade, o controle sobre tudo, até tudo se perder...

Eu me perdi. Me envolvi tanto na vida de quem eu amo, mas eu me perdi. E amar apenas, sem ter um centro em si mesma, é triste, pois não estou mais em mim.

Quando fiz terapia, naqueles anos lá, anteriores a estas coisas, aprendi a reconhecer quando começam os ciclos de vai e vem na minha vida, a desesperança, a tristeza, depois os dias alegres e a sensação de que nada é para sempre... Aproveitar os dias bons e ignorar os dias ruins. Mas às vezes, nem isso, tem dias que nada funciona. Estes dias, por exemplo....

Ontem eu tive febre, uma febre que é um sintoma... de quem se perdeu já a muito. Eu apenas queria ter quem amo ao meu lado. E ele veio, desceu do carro, subiu comigo... e quando eu estava na cama, meio ruim, com aquele frio, observava seu jeito de me olhar... eu pensava: talvez esteja preocupado comigo, talvez esteja me achando uma chata...eu estava ali, frágil como nunca estive.

Ontem eu precisava dos meus amigos. E três amigas me ajudaram. Uma veio ficar comigo até ele chegar. Outra irá me ajudar hoje: eu sei que ela vai me curar das feridas, pois é minha melhor amiga, como uma irmã. A outra me ajudou com palavras, conversamos todos os dias.
Não era nada grave, mas nesse momento precisava de alguém.

A vida estava entre meus dedos, um fio de nada que eu insistia em carregar e manter, com a ideia em mente de que sempre vou me recuperar, não importa o que aconteça. Eu digo que quero morrer, e tem vezes que eu quis, mas a vida em mim está funcionando, na vontade de mudar, de ser melhor, de querer estar com quem amo e admiro.

Escolhi a vida, é o que estou a fazer.

sábado, 20 de maio de 2017

Por que preciso dizer que sou magra e tenho cabelo liso – e me gosto assim:

Eu nasci naturalmente magra e com o cabelo liso.
Quando era criança, tinha aquele cabelo de tigelinha, como as crianças orientais. Nenhum enfeite parava na cabeça, escorria pelos meus fios de cabelos.
E, para o espanto de muita gente, que não se coloca no lugar do outro, sim, sofri muito por ser assim.
Eu queria ter o cabelo encaracolado, e não queria ser magra. Não achava bonito, pois eu era assim e via que outras meninas eram diferentes. Queria ser como uma colega que tinha corpão e cabelão todo crespo. E entrei na adolescência usando roupas largas pois tinha vergonha do meu corpo.
Esses dias revi uma foto antiga onde eu usava um camisetão e pensei: ‘que pena, eu escondia meu corpo. Se eu soubesse o que sei hoje sobre ele, jamais esconderia’.
Foi com algum custo e também através dos elogios que recebi de quem gostava de mim, que fui desencanando do meu corpo e aceitando: sou assim e não tem nada de mais. Eu comecei a pensar que, se alguém gostava de mim mesmo com as pernas finas, com meus defeitos também, talvez não fosse tão ruim assim ser magra.

Foi o amor, o elogio, o afeto e sobretudo a amizade, que me fizeram mudar minha opinião sobre mim mesma.
E o que acontece agora com o feminismo de Facebook? Parece que é preciso desmerecer os atributos físicos de outras mulheres para fortalecer certos estereótipos que são alvo de preconceito.
Sinceramente, não vou aceitar isso. Não preciso desmerecer ninguém. Quem é magra, porque nasceu magra, portanto tem vantagens em nossa sociedade de consumo e objetificação, não necessariamente tem a culpa por isso. Quem é magra por que quer ser, por que malha e tem corpão de modelo, faz isso por diversas razões, suas razões, e não temos o direito de desmotivá-la.
Afinal, estamos em 2017 e mulher faz o que quer, meu bem. E portanto, você pode continuar fazendo esse tipo de campanha depreciativa, sim. Mas o que ganha com isso é nada. Não conquistamos nada, retrocedemos todos juntos. Para ser feminista, temos que admirar as mulheres. Nós temos muitos defeitos que mais são na esfera do comportamento, precisamos falar sobre eles também, mas sem ofender ninguém.
Ainda somos vítimas do auto desprezo: o desprezo a si mesma e o desprezo ao próprio gênero.
Aprenda: podemos nos amar sem deixar de admirar as outras...
As outras mulheres diferentes de nós, todas elas são seres humanos. Se queremos nos autoafirmar, que seja através da beleza que vemos em nós e nas outras mulheres. Para mostrar algo bonito, não precisamos exemplificar mostrando o que consideramos ‘feio’ até por que gosto é gosto, afinal.
Eu não me relaciono com determinados tipos de caras. Não faço isso porque não quero. O meu não querer é tão forte como meu querer. Se não quero algo, simplesmente é não. Ninguém vai decidir sobre o tipo de homem (ou mulher) que irá atrair o meu desejo, em outras palavras eu faço o que eu quiser!
É triste ver feministas escrevendo sobre o cabelo liso das outras mulheres, como se fosse algo ruim, apenas com o objetivo de elevar o que parece ser (pois não tenho certeza se é) o contrário de liso – o crespo.
Vejo como insegurança pura, mulheres desprezarem as magras apenas para poder elevar o orgulho de ser gorda. Já escrevi sobre isso aqui no blog e considero que quem faz isso de maneira ostensiva nas redes sociais, é uma pessoa insegura, que precisa se comparar com as outras.
Devemos elogiar as mulheres, quando vemos algo bonito nelas e não inferiorizar se, por acaso, não achamos ela bonita.
Se você tem orgulho de ser o que é, fale isso e principalmente seja o que fala, mas sem inferiorizar os outros.
Pois ao inferiozar as mulheres diferentes, apenas estamos repetindo o padrão que queremos combater.
Não é legal trocar um padrão de beleza por outro, isso é apenas repetir o que faz o patriarcado.
A riqueza consiste em que tudo seja ou não padrão, conforme a vontade ou momento de cada um.


sábado, 15 de abril de 2017

estar sozinha x ser sozinha

Nestes últimos meses, em que enfrentei pela primeira vez a solidão da minha própria casa, mergulhei em uma faculdade nova, na verdade sobre uma vocação que eu sempre tive, eu percebi que nada é fácil e eu estou sozinha.

Por minhas próprias escolhas e também pelas escolhas do momento em que vivemos (no país), estou sem dinheiro, e isso também torna mais difícil até a convivência com outras pessoas.
Sabe aquela coisa: você precisa se arrumar para ser atraente aos demais, ir a restaurantes, bares, etc... e no momento não é possível.

Antes de me separar, eu imaginava que ao tomar essa decisão, enfrentaria muito machismo, mas eu achava que estava preparada para isso. Porém não. Nunca estamos preparadas para as atitudes machistas das outras mulheres, nunca estamos preparadas para ver as amizades se distanciando, as fofocas, não há como se preparar para isso.

Achei que a solidão que eu sinto fosse culpa do meu relacionamento amoroso recente, achei também que fosse culpa dos meus amigos (sim, a maioria some nos momentos de dificuldade ou sequer estão presentes na minha vida). Eu tenho uma amiga para conversar todos os dias, acho que mais ela me ouve do que o contrário...

Achei também que tudo fosse culpa das redes sociais, afinal é por causa delas que rolam as brigas, os ciúmes e as inseguranças. Sabe o que é você buscar o nome de alguém, e ver que a pessoa ou te bloqueou, ou recusa teu convite de amizade? Isso pode ser algo idiota ou sentimental para quem tem amigos de verdade, de anos, que é só chamar e eles estão ali para qualquer parada, mas para mim dói.
Também cansei de ver gente falando apenas de si mesmas, de como se amam, de como sua vida é tranquila e feliz. Eu sei, deve ser verdade, pois já fiz exatamente a mesma coisa. E hoje, me sinto horrível pois não tenho nada para mostrar.

Eu não tenho um ativismo para mostrar, pois praticamente fui forçada a sair dele.
Família é uma palavra que quando escrevo ou pronuncio me dá vontade de chorar. Pois sinto falta dos meus pais, e o que restou me deixa tão triste a ponto de querer sair dessa vida, acabar com 'tudo'.
Eu não tenho muita coisa a dizer sobre minha vida pessoal, sem me expor de forma que não me sentiria bem nem faria outras pessoas felizes.

Eu poderia dizer algo sobre meu recomeço de vida acadêmica, minha segunda faculdade e esta sim me causa mais orgulho do que a primeira, sobre como tudo o que os professores falam me toca profundamente, pois dizem respeito ao meu sonho, à minha vocação. Quase todos os livros que eles citam eu já li, ou pelo menos conheço e pretendo ler. Apenas as aulas de Espanhol me surpreendem, pois realmente estou FALANDO o idioma que escolhi, que conheço, mas que a vergonha me impedia de proferir em voz alta.

Mas não sei se isso é algo a ser dito. Ando pensando muito antes de publicar coisas minhas.
Um dos motivos é que não sei se elas importam tanto assim. Outro dos motivos é que realmente me sinto sozinha. Mais do que antes, mais do que nunca.

Não acho triste chegar na minha casa e perceber que moro só. O estranho é saber que tão poucas pessoas a visitam, e que nas próximas semanas ou quem sabe meses, não virá ninguém aqui.

E, como cansa ir atrás, como cansa só você ligar, só você querer saber, eu faço isso muitas vezes não só pelo sentimento que nutri pela pessoa, mas para não ter a consciência pesada, quando de fato chegar o dia em que não terei mais contato com aquela pessoa, nunca mais. Penso que pelo menos a minha parte eu fiz. Disse o que precisava ser dito, falei que sentia saudade. Pois prometi a mim mesma sempre dizer ao outro o que sinto e fazer de tudo para manter esse sentimento.

Para quem não conhece esse dia, o Nunca Mais existe, e a partir desse instante, não há mais o que dizer, nem ninguém lá (ou aqui) para ouvir.

É estranha e um pouco triste, minha nova cama de casal, eu durmo sozinha nela e a pessoa que estava ao meu lado, no dia que as coisas chegaram, não está mais.

Sabe, sempre dormi em cama de solteiro e a única vez que dormi nesse tipo de cama foi quando casei. Então, mesmo que eu tenha escolhido morar sozinha e essa minha escolha é para sempre, ainda sinto que uma cama muito grande é grande demais para mim.

Então, sobre o que escreverei? Elegi este assunto, que é melancólico e ninguém quer falar. Esse tema que é o que vivo diariamente. Estou sozinha, me sinto assim, e sei que isso aconteceu por escolhas que fiz, não culpo mais nada ou ninguém, mas sinceramente, o passado não me interessa mais.

Não sinto a menor saudade, acho que é mesmo por isso que me sinto só, antes ao menos eu cultivava lembranças, agora sequer me animo a buscá-las. Estão tão longe de mim, tão equivocadas na névoa da memória, que nem mesmo considero-as verdadeiras.
Mais são contos, mais são a minha versão de tudo o que me aconteceu.

Então, o que ando fazendo é esperar o nascer da lua, todos os dias, lá pelas 19:30 ou 20:00, faço um chimarrão e fico na janela esperando aquele espetáculo nascer. Ela está amarelada e gigante, e nasce atrás das árvores do cemitério, foi por isso que escolhi esta casa. Foi o prazer gótico de morar perto dos mortos que influenciou minha decisão.

Depois pego alguns livros, mais tarde, deito na cama, que é alta e dali fico observando minha janela e a vista linda que há nela.
Existem árvores que estão perdendo todas as suas flores. E tenho acompanhado desde o comecinho, o perfume das flores e agora a secura dos ramos nus.
Tenho alguns vizinhos que ficam nas sacadas ou janelas dos prédios em frente.

E enquanto observo meus vizinhos, a natureza, ou a mim mesma, fico pensando que nunca em minha vida me senti assim: completamente sozinha. Nunca aconteceu, eu sempre tinha alguém. Primeiro meus pais, depois amigos de colégio, amigos de faculdade, alguns namorados, depois marido e amigos de marido que hoje nem falam comigo, depois colegas de apto e até mesmo meu celular, agora deligo-o às vezes, não tenho usado o facebook como antes e acontece que quando vc some, ninguém se importa mais.

Agora é apenas eu e minha casa.

O mais incrível é que eu sabia que isso ia acontecer. E, embora tem dias que fico completamente mal, como ontem, hoje talvez, algumas vezes penso que isso é necessário e que assim mesmo eu percebo como é o mundo para comigo, e como eu sou para o mundo. Percebo que o que acontece comigo não é regra, tampouco é exceção, simplesmente acontece com algumas pessoas.

Daqui a alguns dias espero escrever novamente, para dizer que tudo isso passou, que não era bem assim, que é apenas uma percepção da realidade que eu tenho.
Mas não quero me culpar por tudo, cansei disso também!



sábado, 18 de março de 2017

Por que você ainda usa produtos testados em animais?

DESOBEDIÊNCIA VEGANA - ELLEN AUGUSTA VALER DE FREITAS

Por que você ainda usa produtos testados em animais?

Artigo publicado na ANDA - Agência de notícias de direitos animais
na minha coluna Desobediência Vegana


Os efeitos da publicidade sobre nossas escolhas são perceptíveis, mas nem sempre são óbvios. Não é somente no ato da aquisição que estamos sucumbindo à influência da mídia, mas muitas vezes junto com o produto compramos ideias, atitudes e não raro há quem defenda-as como parte de sua própria identidade.

No mercado existem o que é chamada de marcas líderes, que geralmente investem em propaganda pesada, tentando transmitir uma ideia de que aquele produto é o melhor de todos, já que está no topo das vendas e das marcas mais pensadas pela população.

O vegano não é um consumidor comum, que come o que sua família lhe impõe pois aprendeu que aquilo era o padrão e segue repetindo o que pai e mãe ensinaram nos primeiros anos de idade até a velhice, sem nunca refletir.

O vegano escolhe o que irá comer, o que irá vestir e até mesmo como irá se expressar, com consciência e atitude política.
Não só é um consumidor ativo do mercado formal, como também cria sua própria alimentação e produtos, inventa pratos novos, adapta receitas velhas ao olhar novo.

Ao tornar-se vegana, uma pessoa começa a tarefa de fazer a leitura de rótulos dos produtos que irá consumir.

No começo, tarefa árdua, depois até divertida.

É preciso ler os conteúdos/ingredientes dos produtos para saber se há elementos de origem animal como carnes, ovos, leite, seda, extrato de pérola etc. E também saber se aquela empresa realiza testes em animais.

As listas de empresas que realizam testes em animais são muito fluidas, mudam constantemente. Devido a contratos, muitas empresas unem-se a outras que testam, unindo capital e potencial.

O boicote é uma das armas do ativista vegano. Não podemos nos deixar levar por impulsos consumistas de pegar a marca mais famosa, mais fácil na prateleira. Marcas essas que muitas vezes são romantizadas pelos próprios ativistas como fundamentais. Difícil entender porquê uma pessoa precisa pagar pau para um determinado produto, se não receberá nada por isso.

E as discussões em defesa de marcas que testam em animais e ainda contém elementos de origem animal beiram o ridículo. As pessoas defendem abertamente nas redes sociais produtos fúteis como bolachinha recheada, coisas absolutamente desnecessárias e com muitas opções na concorrência que não realizam testes e possuem ingredientes veganos. Aparentemente é impossível entender o porquê de tamanha ignorância, mas pensando mais profundamente, percebe-se a grande influência da propaganda na mente de pessoas manipuláveis e sem senso crítico.

Quando você ouvir aquele otário que repete sem parar “I love bacon” para provocar os veganos, não fique com raiva. Ele é apenas um idiota manipulado por algo que aconteceu há décadas atrás, mas como é um imbecil, jamais irá na origem para saber por que ele precisa tanto se auto afirmar através de uma provocação meio retardada, uma frase clichê.

A Revista Galileu publicou estes tempos uma matéria muito interessante intitulada: ‘A “moda do bacon” foi orquestrada pela indústria de carne de porco nos EUA’

Foram as grandes indústrias que fizeram as famílias acreditarem que era saudável comer ovos e bacon no café da manhã. Até hoje há matérias no Google, falsas, sobre a dieta do bacon para emagrecer.

Edward Bernays, sobrinho de Freud, é conhecido como o pai das Relações Públicas e Publicidade/Propaganda modernas e ajudou a inculcar na cabeça das pessoas, que este ‘alimento’ era necessário.

Nos últimos dez anos, a propaganda massificada a favor do bacon fez as pessoas acreditarem que esse é um alimento indispensável na alimentação.

E não é. Carne de animais são completamente desnecessárias e não apenas em termos de saúde ou sabor. A maior razão para não comer animais é que eles são indivíduos que possuem dignidade. Eles não são objetos.

Mas e quando o sujeito é “vegano” e mesmo assim insiste em usar produtos testados em animais? Como entender esse paradoxo? Os testes realizados em animais são tão cruéis, exploratórios e degradantes quanto a morte e exploração de animais para consumo. As cobaias são mantidas de formas inimagináveis (há ampla literatura e fotos sobre o assunto), sendo usadas como objetos de pesquisa, de testes de produtos dos mais variados tipos, para depois serem descartadas e mortas, assim como o animal que vai para o abatedouro. Então, o que há de vegano em parar de consumir animais mas seguir usando produtos testados? Não há nada.

Está na hora de ter um pouco mais de senso crítico antes de comprar produtos testados. Procure saber como são os testes. A maior parte dos veganos deve saber, suponho. Portanto, relembre. E reassuma o compromisso com os animais. São testes doloridos, cruéis, e mesmo os que porventura não o são, exploram a vida, a dignidade do animal, que não pediu para estar ali, à disposição dessa praga, chamada humanidade.
fontes
Livro Propaganda, de Edward Bernays
http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/10/moda-do-bacon-foi-orquestrada-pela-industria-de-carne-de-porco-nos-eua.html
http://www.viajonarios.com.br/como-ovos-e-bacon-se-tornaram-o-cafe-da-manha-americano/

sexta-feira, 17 de março de 2017

Saudade, essa palavra

Existem basicamente três tipos de saudade, as que eu sinto.

Sentir saudade de alguém que veremos em breve é bom. O alvo do sentimento está em nosso alcance, e logo iremos acabar com a falta, abraçar, estar perto. A saudade sequer acaba, ela está presente, nunca parece ser suficiente o tempo de estar com quem se ama.
Aquele corpo amado, a presença, a voz. A alma até esquece que neste mundo tudo parece estar errado. Não, não mais está. A presença apaga todas as marcas, e forma outras....
Fagner Canteiros


Existe aquela saudade dos fantasmas vivos. Aqueles que jamais voltarão.
Somente se percebe em sonhos, já que a razão compressa em esquecimento toda forma de expressão da saudade de quem afastamos por precaução, ou foi embora por que quis ir.

A esses eu os guardo em um lugar, que é como um cemitério. Não levo-lhes flores, não os lembro. Apenas ficam lá em silêncio, como um lembrete do que foram, do que fizeram.
Não, eu não sou perdão. Eu guardo em mim todas as coisas e para o que importa tenho memória.

Existe a saudade eterna. A saudade da mãe, a saudade da casa em que se viveu, a saudade do pai.
Essa saudade dói até para escrever.
É a saudade que a morte nos provoca, esse sentimento que apenas crava uma faca no peito, todos os dias. E para este sentir não há cura, nunca mais os verei.

Nunca mais verei o sorriso da minha mãe, seu rosto triste, seu jeito que era tão eu. Hoje eu sei.

Nem adianta eu morrer, não sei para onde irei. Talvez fique exatamente aqui, no mais obscuro silêncio do não mais. E nunca mais a verei. Minha mãe era linda, meu pai, era meu pai.
Quando penso neles só sinto dor.





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A mulher pública* – como lidar com os obstáculos

Eu ando diariamente na rua. Caminho longamente por prazer e pelo meu trabalho.
O único obstáculo que enfrento todos os dias são os homens.
Sim. Todos os dias é um mar de caras, uns tarados, outros asquerosos, outros babando e aqueles que podem te agredir, seja num assalto ou coisa pior. E isso que não ando sozinha à noite, senão já viu.
Se vem dois juntos e de boné, atravesso a rua. É preconceito? Sim. Mas, eu sei bem os tipos de caras que enchem o saco, os que agridem, etc. E todos, mudam o padrão, mas pode crer, estão todos dentro de um. Aprenda, é muito difícil ter a mente flexível. Eu tenho e confio na minha capacidade de mudar. Mas até que me provem o contrário, para mim a maioria somente reproduz a forma de pensar e a violência que aprendeu com os pais (machistas) e no lugar onde vivem.
Quem é mulher e não sabe do que estou falando, entenda quem passa por isso. A maioria de nós vive todos os dias e é desagradável, além de perigoso. Quem é pobre e vive nas periferias, pode crer, é bem pior.
Tive uma péssima experiência com meu antigo Facebook. Velhos e meia idade add de forma insistente, mesmo que você negasse. Entrando no inbox, falando merdas apenas para se afirmarem como homem perante uma mulher mais jovem. É uma total falta de respeito, muitos tem mulher em casa e filha. São nojentos e ainda estão acompanhados. É mulheres, vocês têm muito o que aprender.
“Ah mas você provoca com suas roupas, com suas palavras”(ouvi isso de mulher, mas homem pensa assim também). SIM. Eu provoco. Sou provocante por natureza.
Desde criança eu chamo a atenção e hoje já sei lidar com isso. Até gosto. Eu lembro de ser ainda muito pequena e já haver comentários sobre minha beleza ou inteligência. E, pode crer, acredito e confio que é por aí.
Tenho personalidade, visto a roupa conforme o dia, conforme a vontade, mas não estou “disponível”, mesmo que estivesse sem namorado. O fato de você ter seu jeito, não significa que é para ser invadida com desrespeito.
Sempre fui muito olhada na rua. Isso para mim é natural. E gosto. Homem e mulher olham, variados são os motivos. Mas quando passa por mim esses nojentos, minha vontade é dar um murro na cara deles. Aposto que se apanhassem, aprenderiam a respeitar mulher.
Homem bonito passa por mim. Sim, muitos. E os mais lindos ainda me olham! Mas isso não significa que eu vou lá abrir minha boca e babar feito uma retardada, ou vou catar o cara no Face e dizer “Oi Lindo”, “Vc tem namorada?”
Não. Isso é coisa que uma pessoa íntegra mentalmente não faz. Mas muito homem faz isso com mulher. E depois ficam putinhos quando ‘viados’ dão em cima. Dói né safado?

NÃO dá para confiar em homem. Mas a gente confia, pois tem exceções. Mesmo assim, só acredito quando me provam o contrário da regra. E já me decepcionei até com quem já convivi por anos. Caráter é uma caixa de surpresa. Um dia você descobre que a pessoa que conviveu com você é um lixo. Deu pistas antes? Não. (às vezes sim, mas você ignorou). Então, liguem-se mulheres.
Amigas minhas, que moram sozinha, falam que não dá para chamar o gás, nem o encanador, sem viver com medo. Medo de ser agredida, enrolada, tratada como inferior, enfim.
Como eu me sinto andando na rua, algumas vezes.

“Ah mas vc não gosta de homem”. Sim, eu gosto e bastante. Mas sinceramente, gostaria de ser mais lésbica. Há homens legais, educados. Há exceções. Mas eu to falando do bastantão. Desse lixo que anda nas ruas, sempre procurando algo, como “animais”. Eles não se controlam porque não precisa. A sociedade acha tudo normal.
E esse bastantão é o que aborrece, o que deixa mulheres inseguras, provoca violência, esse é o alvo do feminismo.
Há muita gente assim. Você pode não concordar, talvez no seu bairro a coisa seja melhor. Mas há e é preocupante. Onde essas pessoas tiveram educação? Porque são tão animalescas?
Vivemos num lugar misógino. Ganhamos um governo misógino que não só vai ferrar com todos, mas especialmente com as mulheres. Por que isso é tão aceitável?
Mas a minha questão particular é essa: por que é tão aceitável que um homem seja assim?
Sim, pois eles chegam à idade adulta praticando todo tipo de grosseria e nunca foram parados por ninguém? Nem por mulheres, nem por outros homens? Porque essa escória continua e abundante?
E, se você chegou até aqui e montou a ideia em sua cabeça que eu detesto os homens, saiba: eu não desejo mal para ninguém, mas não suporto 99% da humanidade. E no fundo acredito que cretinice e escrotisse não tem idade, posição social, profissão, roupa, dinheiro, nem religião, e nem mesmo sexo.


*Se você pesquisar esse termo no Google só vai encontrar lixo e a definição machista do dicionário que é bem diferente do 'homem público'.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Você já se sentiu traído?

A sensação é de perda total do chão. Não apenas por que a pessoa que lhe traiu fez o mal, mas porque se perde a confiança nos demais, e até mesmo na vida.
Em quem confiar agora? A gente se pergunta, mas sempre haverá alguém.
Mas, se você pensar por outro lado, o traidor algumas vezes é o mais infeliz. Precisou ser sacana, precisou mentir, ocultar, ser duas caras. Quem quer ser assim?

Se para nós que não acreditamos (ou ainda é difícil acreditar) em algo maior ser indecente com os outros é algo impensável, imagine para quem acredita? O que é o caso da maior parte dos traíras.

Fazem a maldade e depois vão lá pedir perdão. Não deve ser fácil. Tenhamos piedade por quem precisa tripudiar para se sentir melhor. Nós.... nós não precisamos de nada disso. Apenas seguir em frente. Com a verdade.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Ninguém vai tirar a minha paz

Escrevi este texto num dia em que a ficha caiu. Percebi que não dá para confiar em quase nada ou ninguém. Demorei para aceitar que as pessoas, muitas delas, só têm aparências, estão infladas pelo ego. Mas, para isso, basta uma agulha. Para essa bola toda murchar.
E, não sou eu que vou cumprir esse papel.

Apresento a vocês, caros leitores do meu blog, um novo período da minha vida. Eu estou em paz, feliz, de boa e nem aí para quase nada. Agora, um recado:

ninguém vai tirar a minha paz.

Essa paz construída com muita terapia, escrita com o sangue das horas em que destrinchei minha dor, e decidi deixá-la para trás. Muitos dias em que eu paguei e caro para conversar com meu terapeuta sobre meus vícios e medos. Muitas descobertas, muitas lágrimas de saudade do que já está morto: minha mãe e meu pai.
Não. Ninguém vai vir com suas demandas, carências, ego ou qualquer excrescência querer invadir essa felicidade.


Eu desacreditei do amor, faz algum tempo, mas amo. Não tenho problema nenhum em admitir. Esse sentimento é apenas uma doença que está dentro de mim e preciso combater.
Agora, estou começando a desistir da Amizade. Pois parece que só eu a levo à sério.
Eu sempre fui uma pessoa só, sempre tentei me virar sozinha. E, reconheço que, ao precisar de um apoio amigo, não há quase nada. Por quê?
Já tenho anos de terapia, suficientes para saber se isso é culpa minha ou não. Não é. Não sou uma pessoa egoísta. Ao contrário, eu sou generosa. E não irei mudar. Mas não levo mais nada à sério. Não vou mais aprofundar amizades, não vou mais me preocupar. Algumas pessoas só te procuram para saber para quem você está dando, qual é a fofoca da vez.

Homem que te procura só porque está sem mulher. Mulher que só é tua amiga pois está solteira. Para vocês, que fazem isso, talvez algum dia possam se perguntar: o que é realmente a amizade. E o que é ser amigo?
Só não adianta descobrir isso só lá na velhice, depois de ser sacana a vida inteira. Aí vira aqueles velhinhos que falam com todo mundo na rua. Nada contra Mas, e antes desse dia chegar? O que você fez?

Não vou mais aceitar menos. Não me venha me procurar quando levar chute de homem, quando a vida de princesa acabar, quando essa conversinha de Super Herói não interessar a mais ninguém, pois deveras já não interessa. Eu não estarei mais presente. Não estarei mais aqui.

Não, não estou mal. Aliás, eu trocaria todos os meus 37 anos de perda de tempo por esses últimos meses. Finalmente estou me sentindo livre.
Moro sozinha, saio com quem quiser, visto-me com o que queira. Sempre fui assim, mas agora descobri que certas influências só te colocam para baixo. Não caia nessa, meus leitores.
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